"O meio ambiente precisa da juventude"
- por: Editor
- [01.02.2012]
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Com apenas 18 anos de idade, Marcelo Wiederkehr cresceu na agricultura familiar e se preocupa diariamente com o meio ambiente. Todos os anos, ele se desloca de São José das Palmeiras para participar do Encontro Cultivando Água Boa. No último mês de novembro, o jovem aproveitou para aprimorar seus conhecimentos na oficina Juventude e Meio Ambiente. “Um completa o outro, o meio ambiente precisa da juventude para se recuperar”, disse.
Wiederkehr é coordenador do Sindicato de Jovens do munícipio e garante que por lá os cuidados com a natureza são constantes. “Os próprios jovens cobram o comprometimento com o meio ambiente e utilizam as redes sociais para isso”, destacou.
“Os programas do Cultivando Água Boa abrem mais oportunidades de apoio técnico. Se não fosse o CAB muitas coisas não existiriam. Mas não dá só pra ficar na expectativa de que alguém vai resolver. É importante agir".
O agricultor conta com o apoio do CAB há três anos e participa de diversos programas em sua microbacia, como agricultura orgânica, sistemas de água e florestas e gestão de bacias. “A Itaipu é uma grande parceira do município. Antes não tinha estrada no sítio, hoje é quase tudo feito com pedra regular e o rio está limpo”.
Catadores unidos crescem juntos
- por: Editor
- [12.12.2011]
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Serli Correia dos Santos de Almeida é catadora e, desde agosto de 2010, um dos 19 integrantes da Associação de Catadores de Recicláveis de Toledo. A associação foi criada com apoio da Itaipu Binacional e da Prefeitura de Toledo.
"Eu trabalho com resíduos sólidos há 19 anos e quando comecei a trabalhar com o Cultivando Água Boa, em 2010, tudo mudou completamente. Antes, eu trabalhava sem saber o que estava fazendo. Agora, somos bem vistos pela população de Toledo e estamos recebendo apoio. A gente percebeu que mudou a renda e o reconhecimento".
Serli e outros oito catadores de Toledo vieram a Foz do Iguaçu em novembro de 2011 para participar da oficina de Gestão de Resíduos e Inclusão Digital, uma das oficinas do Encontro Cultivando Água Boa Rumo à Rio+20. "A maioria dos catadores não sabe o que está fazendo, participando da oficina dá para entender melhor o nosso papel", disse.
"A maioria dos catadores não sabe o que ele está fazendo. Eles podem se engajar em uma causa. Mas muitos pegam o material, vendem e já gastam tudo. Não têm a paciência de juntar, de esperar para vender direto à indústria e perdem com isso", afirmou.
Segundo Serli, com a venda de materiais diretamente para a indústria, os ganhos aumentaram 90%. "Aumentou o salário porque a gente sabe trabalhar melhor e gerenciar o nosso negócio", avaliou.
Cultivar peixe: bom para o produtor e bom para o planeta
- por: Editor
- [28.09.2011]
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Como começou o programa?
A gente começou dentro da nova missão institucional de Itaipu, a partir do gerenciamento estratégico e da preocupação social e ambiental, buscando um relacionamento afinado entre com a vizinhança e, principalmente, a inclusão social. Então, a mim coube a missão de tentar estabelecer uma relação organizada com alguns setores que estavam bem distantes da empresa, como no caso dos pescadores artesanais, que são aqueles que vivem da pesca, dependem dela para sobreviver. São sete colônias no reservatório, com mais de 800 famílias, além das comunidades indígenas que estão na beira do lago e que vêem na pesca e na piscicultura uma alternativa, e também os assentados e ribeirinhos, que tinham essa reivindicação de querer utilizar as águas do reservatório para complementar a renda deles. Já tínhamos alguns experimentos para implantar o processo de cultivo de peixes no reservatório, em substituição à pesca extrativista. A estatística pesqueira estava mostrando uma redução da pesca extrativa. Foi a partir daí que a gente pensou e começou a discutir juntos, tanto no comitê coletivo quanto nas relações individuais que a gente teve naquele momento de diagnóstico, que o mais adequado seria implantar um processo de piscicultura.
E qual foi o resultado dessas discussões?
A partir daí nós começamos a estudar o reservatório, fazer um plano diretor, ver onde dava para criar peixe, onde não dava... Fizemos todo o zoneamento para não conflitar com outros interesses que já estão no lago, como navegação, praia, extração de areia, pesca esportiva, a própria pesca artesanal. E a partir daí encaminhamos todo um processo de autorização legal e licenciamento junto ao Ministério da Pesca e o programa avançou bastante nesse ponto. Entramos num processo experimental de cultivo, para depois passar para um processo de produção mais definitiva, e foi uma experiência muito boa. Hoje, já demos passos importantes no processo de piscicultura: temos três parques aquiqueras demarcados, o reservatório está todo demarcado, a gente sabe onde pode e onde não pode cultivar peixe e quanto pode cultivar em cada local. E nós temos já 72 produtores com títulos de uso, autorizados e plenamente legalizados para produzir. Então, isso foi um salto importante graças ao Cultivando Água Boa.
Qual a importância do projeto dentro do Cultivando Água Boa?
O peixe bom, tanto cultivado quanto pescado, tem que ter um ambiente bom. E o peixe é o melhor indicador que tem para a água. Onde a água é ruim, não tem peixe bom. E onde dá peixe bom é sinal de que o ambiente está conservado. Então, é um marcador importante a presença de peixe. Uma coisa depende da outra. E toda a política que foi feita de preservação de toda a bacia, recuperação dos passivos é um resultado que vai beneficiar, diretamente, a pesca e a piscicultura, porque os peixes respiram a água e a água sendo boa, é melhor para o peixe. Água suja, água ruim, não dá para criar peixe e também não tem peixe na natureza.
Quando vocês começaram esse trabalho, como era a receptividade?
No começo era conflituosa. Existiam muitas práticas dos pescadores que eram teoricamente agressivas à natureza, à faixa de proteção e ao próprio ambiente aquático. Então, antes, havia uma relação de notificar e limitar. Aí foi criada uma nova relação, uma relação de diálogo, para corrigir e para ajudar um ao outro, de uma forma mais fraternal. E isso foi muito positivo, porque hoje nós vivemos em perfeito diálogo. Não que esteja tudo afinado, porque os interesses não foram todos atendidos da parte deles e nem do nosso, mas existe uma evolução muito grande nessa relação. Hoje, existe uma relação de sintonia muito forte, entre as ações e as aspirações dos pescadores e dos produtores de peixes, com relação também ao que Itaipu aspira e tem como horizonte para essa atividade.
E o quê você percebe de mudanças para eles, os pescadores?
Tem muitas mudanças que a gente percebe. Eles melhoraram de vida. Mudou também a consciência ambiental. Por exemplo, nós temos alguns produtores de peixes que são também pescadores, e que hoje se convenceram. Não precisou que nós falássemos para eles que não vale mais a pena pescar, extrair da natureza. Eles se convenceram de que o caminho é produzir e vender peixe produzido e não o pescado. Porque isso é bom pra ele e para a natureza. Essa é a fórmula para fazer com que haja menos pressão em cima do meio ambiente. E o consumidor também vai passar a exigir peixe cultivado. Senão, vai ter sempre aquela pressão de passar a linha amarela e querer comer peixe da natureza, e a natureza demora para produzir um extrato pesqueiro. Os peixes de grande porte que nós temos aqui na região crescem um quilo por ano. Por isso, se você matar um peixe de 20 quilos, é sinal de que ele demorou 20 anos para ficar daquele tamanho. E não dá para você matar um peixe que está pesando um ou dois quilos, como costumeiramente ocorre, porque aí vai terminar a espécie, ela será extinta. Então, há uma necessidade produzir alimento protéico como é o peixe e não dá mais pra ficar só desmatando para produzir carne de boi, de porco, de frango. O planeta já não comporta mais. Então, nós temos o latifúndio aquático, que dá para aproveitar sem cortar uma árvore, desde que seja manejado corretamente, bem estudado e bem demarcado. Daí, é possível produzir uma enormidade de proteína boa como é o peixe, sem estabelecer prejuízo à biodiversidade íctica e também ao planeta.
O consumidor nota a diferença para o peixe produzido?
Tem algumas diferenças. Por exemplo, havia uma dificuldade para colocar o peixe na merenda escolar, porque o peixe tem espinho e criança não pode receber um prato com espinho de peixe. Então nós avançamos nisso, com uma máquina que tira os espinhos da carne do peixe. E aí dá para produzir vários pratos a base de peixe para as crianças. Outro ponto é que, quando você aumenta a oferta de peixe, automaticamente, o custo para o consumidor diminui. O consumidor nosso está consumindo peixe que vem do Peru, do Chile. O salmão, peixe de água salgada, por exemplo, não está ao alcance das populações menos remuneradas. E os peixes que estão sendo produzidos aqui, os nossos produtores estão vendendo. Por exemplo, o Pacu está sendo vendido a R$ 4,50 o quilo, nas feiras municipais. Nenhum peixe que vem de fora está nesse preço. Porém, nós ainda temos que evoluir bastante na organização de toda a cadeia da piscicultura. Não temos as redes de frigoríficos nem as fábricas de ração, por exemplo. O acesso ao crédito também não está resolvido para produzir, porque para produzir não é assim tão barato. Mas é uma luta que nós estamos travando para resolver esses pontos e tornar sustentável essa cadeia da piscicultura aqui na nossa Bacia do Paraná 3.
Cultivar plantas medicinais é cultivar qualidade de vida
- por: Editor
- [09.02.2011]
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"Eu, como produtora de plantas medicinais, acredito que este projeto tem tudo para dar certo, pela importância que tem na vida das pessoas. Não só pelo valor econômico, mas também pela qualidade de vida que pode oferecer para as pessoas que produzem e fazem uso dessas plantas para prevenir e até curar algumas doenças. No meu caso, foi também uma maneira de manter minha família trabalhando na propriedade, alem de ser uma fonte alternativa para complementar a minha renda."
Guiomar Santana neves, produtora de Vera Cruz do Oeste e presidente da Cooperativa Gran Lago.
"O programa ensina a gente a pensar juntos"
- por: Editor
- [09.02.2011]
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“O programa Sustentabilidade das Comunidades Indígenas ensina a pensar juntos, propor juntos. Tenho um exemplo do que entendo como ser sustentável. Aqui na aldeia a gente buscava a espécie de milho amarelo. É o milho que os meus avós herdaram dos antepassados deles. Então, em um dos projetos com a Itaipu, uma das moças trouxe uma espiguinha desse milho. A gente plantou todos os grãos e conseguimos colher 20 quilos do milho na safra do ano passado. Para este ano, nós estamos chamando as famílias aqui na aldeia interessadas em plantar. A nossa expectativa é colher 600 quilos. Esse milho será usado para os nossos rituais. Não é só milho, ele é a semente da nossa cultura”.
Cacique Daniel Maracá Merin Lopes, da Aldeia Tekohá Ocoy, em São Miguel do Iguaçu.
“Vim participar mais por necessidade do que interesse. E aí fui pegando gosto pela coisa.”
- por: Priscila Seixas
- [31.07.2009]
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Como a maioria dos garotos na faixa dos 18 anos, Heitor se interessava por carros e computador. A área ambiental passava longe quando ele pensava no futuro. No entanto, esse ano ele entrou para a faculdade de Engenharia Ambiental, em Foz do Iguaçu. O que será que mudou sua opinião? Heitor foi um dos 20 adolescentes que participaram do projeto Jovem Jardineiro, uma das ações do Cultivando Água Boa dentro do programa de Sustentabilidade de Segmentos Vulneráveis. O que o levou a participar foi a necessidade. Pouco tempo antes, seu pai tinha saído de casa e com a mãe desempregada, Heitor se viu diante da responsabilidade de assumir algumas contas da família. Quando entrou para o Jovem Jardineiro, ele buscava uma capacitação e uma renda que o ajudasse. Porém, agora que o curso se encerra, ele percebe que ganhou muito mais. Amadureu, aprendeu a ter responsabilidade e a administrar seu tempo e dinheiro, conheceu pessoas, fez amigos e, por fim, aproximou-se de profissionais que despertaram nele a vontade de seguir em frente e atuar na área ambiental. Enquanto cursa a faculdade de Engenharia Ambiental, que já começou neste ano, a capacitação em jardinagem e paisagismo lhe dá uma opção de atuação profissional. Veja o que ele conta dessa história:
“Comecei no Jovem Jardineiro em agosto de 2008. Na verdade, eu já tinha trabalhado em outros locais antes, mas acabei saindo. Aí meu pai saiu de casa e eu fiquei uns 2 meses sem emprego. Fui na Guarda Mirim e lá me falaram desse projeto de jardinagem aqui na Itaipu. Mais por necessidade do que interesse, eu acabei vindo. No início eu não gostava, não me via fazendo isso. Mas aí eu acabei pegando gosto pela coisa. Tive contato com diversas pessoas da área ambiental e comecei a me interessar pelo assunto. Tanto é que acabei optando por fazer faculdade de Engenharia Ambiental.
O local aqui é legal para se trabalhar e o pessoal é muito bacana, todos me ajudaram muito. Aprendi muitas coisas com o Renê (Renê Diomar Fernandes, coordenador do projeto Jovem Jardineiro) e com outras pessoas que fui conhecendo. Fiz muitos amigos, adolescentes e pessoas mais experientes e maduras também. Além de muitos contatos profissionais, se eu for seguir nessa área ambiental mesmo.
O mais importante é que comecei a ver as coisas de forma diferente. A gente não fala só sobre jardinagem. Conversamos muito sobre o futuro também. Aprendi a respeitar hierarquias, a seguir ordens, a me socializar melhor com as pessoas. Toda ação tem uma reação. Dependendo do que a gente faz, pode ser positiva ou negativa. Aprendi também a administrar melhor o meu dinheiro, a ter mais responsabilidade. Como minha mãe é desempregada, eu pago a maioria das contas lá em casa.
Acabei aprendendo ainda a cumprir horários e a organizar meu tempo. Porque agora faço faculdade de manhã, então tenho que levanter bem cedo. Eu moro mais ou menos a uns 20 km daqui, aí eu corro pra casa, almoçar, e depois venho trabalhar. Então, tudo isso me ajudou a amadurecer.
Agora quero fazer minha parte para ajudar o mundo. Se eu puder, gostaria de participar de um projeto ambiental para diminuir a poluição, plantar árvores ou outra coisa que ajude a estabilizar o clima, a situação do planeta no momento.”
HEITOR MANOEL RIES WINCKLER é um dos formandos da turma de 2008-2009 do programa Jovem Jardineiro, umas das ações de Sustentabilidade de Segmentos Vulneráveis.
“Eu ficava imaginando: e se os agricultores cultivassem plantas medicinais?”
- por: Priscila Seixas
- [31.07.2009]
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Quando visitava as famílias que moravam no entorno do lago da Itaipu, em São Miguel do Iguaçu, para conversar sobre reflorestamento, Altevir ficava imaginando se aquelas propriedades não poderiam cultivar plantas medicinais. Esse era um hobbie que ele tinha, junto com a colega Teresa, que trabalhava no Refúgio Biológico Bela Vista. Sempre que podiam, eles pesquisavam sobre o cultivo e o uso dessas plantas. Lá no Refúgio, em um pequeno espaço, eles cultivavam 15 espécies de plantas medicinais. A pequena produção era consumida por eles mesmos e alguns colegas que vinham procurá-los. Com o lançamento do programa Cultivando Água Boa, em 2003, o que era um sonho passou a concretizar-se em um projeto socioambiental. Veja o que o Altevir conta:
“Em 2003, o Dr. Nelton (Nelton Miguel Friedrich, diretor de coordenação e meio ambiente da Itaipu Binacional) chegou com uma farmacêutica chamada Loici, que também gostava e se interessava por plantas medicinais. Sentamos para escrever um projetinho, que foi encaminhado e aprovado. E assim começamos a trabalhar com a comunidade.
A primeira coisa que constatamos é que as pessoas usavam plantas medicinais errado. Fizemos um diagnóstico, onde foram entrevistadas 2.500 pessoas e descobrimos 82% da população usava plantas medicinais. Porém, 10% delas achavam que o uso das plantas não poderia fazer mal e 8% achavam que não tinha contraindicação, que era só usar. O principal exemplo é o chimarrão: dentro daquele preparado, nós encontramos a erva mate, que é uma planta excitante, porém junto tinham várias plantas que eram calmantes. Isso não pode acontecer.
Montamos então uma estratégia de educação: capacitamos pessoas, trouxemos palestrantes, fizemos cursos, inclusive para merendeiras, agentes de saúde e pastorais. E já podemos ver o resultado dessa conscientização. Hoje em qualquer lugar que você vai por aqui, as pessoas falam do uso das plantas medicinais, que são naturais, mas que têm contraindicação. E a indicação por parte dos profissionais de saúde também está mudando muito rápido, porque agora o próprio paciente que vai ao postinho de saúde pergunta se tem algum tratamento alternativo pra ele.
Agora estamos trabalhando para capacitar os agricultores. Estamos já com quatro secadoras e cinco estufas de germinação compradas para instalar em vários pontos da Bacia do Paraná III. Em Vera Cruz do Oeste já temos uma produtora que se dedica integralmente ao cultivo das plantas medicinais. Nossa principal meta é fechar essa cadeia produtiva nos municípios. Ou seja: o agricultor produzindo plantas de boa qualidade e entregando na prefeitura. E a prefeitura disponibilizando as plantas nos postos de saúde. É isso que a gente quer ver.”
ALTEVIR ZARDINELLO é coordenador na Itaipu do programa de Plantas Medicinais, umas das ações do Desenvolvimento Rural Sustentável.
