“Eu ficava imaginando: e se os agricultores cultivassem plantas medicinais?”
- por: Priscila Seixas
- [31.07.2009]
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Quando visitava as famílias que moravam no entorno do lago da Itaipu, em São Miguel do Iguaçu, para conversar sobre reflorestamento, Altevir ficava imaginando se aquelas propriedades não poderiam cultivar plantas medicinais. Esse era um hobbie que ele tinha, junto com a colega Teresa, que trabalhava no Refúgio Biológico Bela Vista. Sempre que podiam, eles pesquisavam sobre o cultivo e o uso dessas plantas. Lá no Refúgio, em um pequeno espaço, eles cultivavam 15 espécies de plantas medicinais. A pequena produção era consumida por eles mesmos e alguns colegas que vinham procurá-los. Com o lançamento do programa Cultivando Água Boa, em 2003, o que era um sonho passou a concretizar-se em um projeto socioambiental. Veja o que o Altevir conta:
“Em 2003, o Dr. Nelton (Nelton Miguel Friedrich, diretor de coordenação e meio ambiente da Itaipu Binacional) chegou com uma farmacêutica chamada Loici, que também gostava e se interessava por plantas medicinais. Sentamos para escrever um projetinho, que foi encaminhado e aprovado. E assim começamos a trabalhar com a comunidade.
A primeira coisa que constatamos é que as pessoas usavam plantas medicinais errado. Fizemos um diagnóstico, onde foram entrevistadas 2.500 pessoas e descobrimos 82% da população usava plantas medicinais. Porém, 10% delas achavam que o uso das plantas não poderia fazer mal e 8% achavam que não tinha contraindicação, que era só usar. O principal exemplo é o chimarrão: dentro daquele preparado, nós encontramos a erva mate, que é uma planta excitante, porém junto tinham várias plantas que eram calmantes. Isso não pode acontecer.
Montamos então uma estratégia de educação: capacitamos pessoas, trouxemos palestrantes, fizemos cursos, inclusive para merendeiras, agentes de saúde e pastorais. E já podemos ver o resultado dessa conscientização. Hoje em qualquer lugar que você vai por aqui, as pessoas falam do uso das plantas medicinais, que são naturais, mas que têm contraindicação. E a indicação por parte dos profissionais de saúde também está mudando muito rápido, porque agora o próprio paciente que vai ao postinho de saúde pergunta se tem algum tratamento alternativo pra ele.
Agora estamos trabalhando para capacitar os agricultores. Estamos já com quatro secadoras e cinco estufas de germinação compradas para instalar em vários pontos da Bacia do Paraná III. Em Vera Cruz do Oeste já temos uma produtora que se dedica integralmente ao cultivo das plantas medicinais. Nossa principal meta é fechar essa cadeia produtiva nos municípios. Ou seja: o agricultor produzindo plantas de boa qualidade e entregando na prefeitura. E a prefeitura disponibilizando as plantas nos postos de saúde. É isso que a gente quer ver.”
ALTEVIR ZARDINELLO é coordenador na Itaipu do programa de Plantas Medicinais, umas das ações do Desenvolvimento Rural Sustentável.

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