“Vim participar mais por necessidade do que interesse. E aí fui pegando gosto pela coisa.”
- por: Priscila Seixas
- [31.07.2009]
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Como a maioria dos garotos na faixa dos 18 anos, Heitor se interessava por carros e computador. A área ambiental passava longe quando ele pensava no futuro. No entanto, esse ano ele entrou para a faculdade de Engenharia Ambiental, em Foz do Iguaçu. O que será que mudou sua opinião? Heitor foi um dos 20 adolescentes que participaram do projeto Jovem Jardineiro, uma das ações do Cultivando Água Boa dentro do programa de Sustentabilidade de Segmentos Vulneráveis. O que o levou a participar foi a necessidade. Pouco tempo antes, seu pai tinha saído de casa e com a mãe desempregada, Heitor se viu diante da responsabilidade de assumir algumas contas da família. Quando entrou para o Jovem Jardineiro, ele buscava uma capacitação e uma renda que o ajudasse. Porém, agora que o curso se encerra, ele percebe que ganhou muito mais. Amadureu, aprendeu a ter responsabilidade e a administrar seu tempo e dinheiro, conheceu pessoas, fez amigos e, por fim, aproximou-se de profissionais que despertaram nele a vontade de seguir em frente e atuar na área ambiental. Enquanto cursa a faculdade de Engenharia Ambiental, que já começou neste ano, a capacitação em jardinagem e paisagismo lhe dá uma opção de atuação profissional. Veja o que ele conta dessa história:
“Comecei no Jovem Jardineiro em agosto de 2008. Na verdade, eu já tinha trabalhado em outros locais antes, mas acabei saindo. Aí meu pai saiu de casa e eu fiquei uns 2 meses sem emprego. Fui na Guarda Mirim e lá me falaram desse projeto de jardinagem aqui na Itaipu. Mais por necessidade do que interesse, eu acabei vindo. No início eu não gostava, não me via fazendo isso. Mas aí eu acabei pegando gosto pela coisa. Tive contato com diversas pessoas da área ambiental e comecei a me interessar pelo assunto. Tanto é que acabei optando por fazer faculdade de Engenharia Ambiental.
O local aqui é legal para se trabalhar e o pessoal é muito bacana, todos me ajudaram muito. Aprendi muitas coisas com o Renê (Renê Diomar Fernandes, coordenador do projeto Jovem Jardineiro) e com outras pessoas que fui conhecendo. Fiz muitos amigos, adolescentes e pessoas mais experientes e maduras também. Além de muitos contatos profissionais, se eu for seguir nessa área ambiental mesmo.
O mais importante é que comecei a ver as coisas de forma diferente. A gente não fala só sobre jardinagem. Conversamos muito sobre o futuro também. Aprendi a respeitar hierarquias, a seguir ordens, a me socializar melhor com as pessoas. Toda ação tem uma reação. Dependendo do que a gente faz, pode ser positiva ou negativa. Aprendi também a administrar melhor o meu dinheiro, a ter mais responsabilidade. Como minha mãe é desempregada, eu pago a maioria das contas lá em casa.
Acabei aprendendo ainda a cumprir horários e a organizar meu tempo. Porque agora faço faculdade de manhã, então tenho que levanter bem cedo. Eu moro mais ou menos a uns 20 km daqui, aí eu corro pra casa, almoçar, e depois venho trabalhar. Então, tudo isso me ajudou a amadurecer.
Agora quero fazer minha parte para ajudar o mundo. Se eu puder, gostaria de participar de um projeto ambiental para diminuir a poluição, plantar árvores ou outra coisa que ajude a estabilizar o clima, a situação do planeta no momento.”
HEITOR MANOEL RIES WINCKLER é um dos formandos da turma de 2008-2009 do programa Jovem Jardineiro, umas das ações de Sustentabilidade de Segmentos Vulneráveis.

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