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Cenário local - A Bacia do Paraná 3

A Bacia Hidrográfica do Rio Paraná 3 é uma extensa região localizada no oeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Entende-se por bacia hidrográfica a área onde ocorre a captação da água da chuva, devido às suas características geográficas e topográficas, que drenam por meio de córregos, rios pequenos, médios e grandes e convergem para um rio principal. No caso da Bacia do Paraná 3, esta área compreende cerca de 8 mil km2 de afluentes que lançam suas águas diretamente no Rio Paraná, onde está situado o Lago de Itaipu, na confluência com o Rio Iguaçu. No seu entorno estão localizados 29 municípios que somam cerca de 1 milhão de habitantes.

Mapa da Bacia do Paraná 3

É uma região privilegiada, rica em recursos naturais, biodiversidade, abundância de água e excelentes solos. Porém, como toda fronteira agrícola, também sofreu as consequências do desmatamento acelerado e da ocupação territorial desordenada, ocorridos com mais intensidade a partir de 1950, resultado inclusive das políticas agrícolas em vigor no país. Com o tempo, os passivos ambientais começaram a aparecer, como a desflorestação da mata nativa, a erosão do solo e a contaminação das águas com dejetos de animais, agrotóxicos, esgotos e lixos. A partir de 1982, ano em que se formou o reservatório da Itaipu Binacional, tiveram início estudos para monitorar as condições da água de toda a bacia. Percebeu-se então que o impacto dessa devastação era sentido não apenas nas águas, mas principalmente nas comunidades em seu entorno.

Nos últimos anos, graças ao surgimento de políticas ambientais responsáveis, o panorama da região começou a apresentar mudanças. Desde 2003, com a implantação do programa Cultivando Água Boa, teve início um extenso movimento envolvendo todos os atores locais — Itaipu Binacional, associações comunitárias, órgãos governamentais, ONGs, instituições de ensino, cooperativas e empresas — na busca pelo desenvolvimento sustentável na Bacia Hidrográfica do Paraná 3.

Em seu trabalho de monitoramento da qualidade da água, a Itaipu identificou cinco principais problemas na Bacia do Paraná 3:

Assoreamento: o depósito de sedimentos na entrada principal do reservatório, em Guaíra, tem atingido a média de 6 a 7 milhões de toneladas por ano. Somam-se a isso as milhares de toneladas de terra lançadas nos rios da bacia, que desembocam também no reservatório. A erosão do solo é a principal causadora desse processo.

Eutrofização: juntamente com o solo, acabam sendo carregados também para as águas do reservatório fertilizantes e matéria orgânica provenientes da agropecuária, suinocultura, avicultura e dejetos das populações urbanas da região. Isso acaba por provocar a proliferação de algas e plantas aquáticas, algumas inclusive tóxicas, que degradam o ambiente do reservatório, impactando nos seus ecossistemas.

Mexilhão dourado: essa espécie exótica de molusco veio da Ásia grudada nos cascos dos navios. Por ser uma espécie invasora, não tem predadores naturais e, portanto, prolifera rapidamente. Isso também acaba por impactar nos ecossistemas naturais do reservatório. 

Agrotóxicos: o uso abusivo e irresponsável desses produtos pela atividade agropecuária é um dos principais fatores de deterioração da água e do solo da Bacia do Paraná 3.

Desmatamento: a erosão do solo e o enfraquecimento da biodiversidade são as principais consequências que o desmatamento desenfreado trouxe à região.