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Preocupação histórica

A preocupação da Itaipu Binacional com as questões socioambientais vem desde os primeiros anos de sua história. Por meio de ações e projetos isolados, a empresa sempre se mostrou engajada no tema, especialmente no que se refere à correção de passivos ambientais e preservação da natureza da região de influência da usina. Um dos trabalhos mais marcantes nesse sentido foi a Operação Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”). A ação aconteceu em 1982, quando as obras da barragem da Itaipu chegaram ao fim e as comportas do canal de desvio foram fechadas para a formação do reservatório da usina. Devido às fortes chuvas e à maior enchente da região em 40 anos, as correntezas do Rio Paraná levaram apenas 14 dias para encher o reservatório. Com isso, teve início uma corrida contra o relógio para resgatar os animais silvestres que se encurralavam na terra que sumia. Em 23 dias, foram salvos mais de 36 mil animais das mais diversas espécies.

Ainda nesse ano, a empresa já tinha elaborado o estudo “Hidrelétrica, Meio Ambiente e Desenvolvimento”, contendo providências para compensar os impactos que a instalação da usina viria causar. Nos anos seguintes, quando o nível das águas no reservatório começou a se estabilizar, a Itaipu iniciou o trabalho de reflorestamento e recuperação da mata ciliar, seriamente devastada por uma política agrícola agressiva do passado.

De lá pra cá, foram 44 milhões de árvores plantadas em terras brasileiras e paraguaias. Nos dias atuais, isso já configura 110 mil hectares de florestas com espécies nativas. Os mais de 1.300 quilômetros que formam a área que circunda o lago estão cobertos por, em média, 200 metros de mata ciliar. A biodiversidade passou a ser preservada com pesquisa e por corredores que permitem a dispersão dos genes da flora e fauna. Além disso, oito reservas e refúgios biológicos são mantidos no Brasil e no Paraguai, que juntos somam mais de 41 mil hectares de mata protegida.

Por essas e diversas outras iniciativas, é possível dizer que a ampliação da missão da Itaipu, em 2003, foi a institucionalização de uma atuação sempre preocupada com o meio ambiente, mas que, a partir do novo planejamento estratégico, expandiu-se para a busca do desenvolvimento sustentável. Essa visão integral surgiu da compreensão de que as atitudes locais influenciam na problemática global e que, para estabelecer uma cultura de sustentabilidade, seria preciso mobilizar a todos. Nesse contexto, surgiu o Cultivando Água Boa, um programa de consciência e atuação coletivas, envolvendo todas as comunidades da Bacia do Paraná 3.